Indaiatuba

Mesmo com bandeira verde conta de luz continua cara em janeiro

Mesmo com as chuvas no final de dezembro e início de janeiro e a bandeira tarifária ser verde no mês de janeiro, ou seja, sem custo adicional para os consumidores, a conta de luz do brasileiro continua cara. Isso pode ter sido motivada pelas festas de fim de ano e porque o consumidor ainda pagou o adicional da bandeira vermelha (patamar 1) de dezembro, com custo de R$ 3,00 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) explicou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o adicional da bandeira vermelha na conta de luz de janeiro é referente à leitura do período de dezembro, quando estava com a bandeira vermelha. "As contas que recebemos tem data de faturamento e nem sempre são do dia 1 ao dia 30 de um único mês. Por isso, o consumidor paga referente à leitura de um período, que pode ser do dia 15 de dezembro a 15 de janeiro, por exemplo. Quando isso acontece, o consumidor paga a bandeira referente ao mês anterior e a bandeira referente ao mês vigente. Na fatura desse mês foi cobrado o período de dezembro, que era bandeira vermelha, mais o período de janeiro, que é bandeira verde", explica.

A Aneel também informou que não tem como prever a cor da bandeira do mês de fevereiro. "Normalmente isso é divulgado na última sexta-feira do mês. Como a bandeira tarifária está sendo discutida em audiência pública, quando terminar esse processo teremos o calendário de bandeiras do ano todo".

A reportagem saiu pelas ruas do centro de Indaiatuba para verificar se o consumidor se atenda a cor da bandeira que está pagando e o resultado foi a maioria dos entrevistados não verificam a cor da bandeira e não sabem o que isso significa. Marcos Teodoro de Aquino, de 48 anos, morador do bairro Oliveira Camargo, é um dos consumidores que não lê a conta de luz. "Eu só olho o valor a pagar, não sei a diferença das cores", diz. "Percebi que desde o final de 2017 a conta está aumentando e pesa bastante no orçamento. Estamos pagando R$ 150 por mês, isso porque somos em quatro pessoas que trabalham e tem vez de quase não ficar em casa".

Sueli da Silva Oliveira, 38 anos, moradora de Elias Fausto também contou que não olha a cor da bandeira tarifária. "Para falar a verdade eu olho o valor, não sei a diferença das cores também. A minha conta veio muito cara nesse mês. Paguei R$ 108 e são apenas três pessoas em casa, e a maioria trabalha", conta.

A moradora do bairro Campo Bonito, Maria Aparecida, 57 anos, é a entrevistada com a menor fatura de conta de luz. "Eu pago R$ 50 por mês, mas mora apenas eu e meu marido e temos poucos eletrodomésticos. As vezes olho a cor da bandeira, mas não sei o que isso significa. Eu pago até que barato, mas tem pessoas do bairro onde moro que pagam R$ 300".

O indaiatubano Eder dos Reis, de 72 anos, mora no Jardim do Sol e reclamou da sua conta que está cada vez mais cara. "Eu só vejo o valor a pagar. Nunca vi bandeira, só escuto a turma falar sobre isso. Percebi que está cada vez mais cara, nunca baixou, já faz uns três anos ou mais isso. Nesse mês veio R$ 170".

O colega de Eder, Joel Gomes, de 68 anos, consegue economizar na sua conta de luz. "A minha tarifa vem cara, não tanta como a dele (Eder) porque não tenho certas despesas, não tenho computador e procuro economizar ao máximo. Eu pagava cerca de R$ 70 e agora pago R$ 92", relata. "Não olha a bandeira, o certo seria olhar detalhe por detalhe para saber o que estamos pagando, mas também a letra que descreve a cor da bandeira é minúscula", reclama.

Cristiane Aparecida Francisco, de 39 anos, mora no Parque Residencial Indaiá e contou a reportagem que costuma ver a cor da bandeira que está pagando. "Eu reparo e a minha veio a vermelha na última conta, que paguei o valor de R$ 220. Sempre em janeiro minha conta vem mais cara, mas raramente ela estava vindo barata. Acredito que não vá diminuir, é dai para pior, é mais fácil aumentar", diz.

Entenda as cores

O sistema de bandeiras tarifárias sinaliza o custo da energia gerada. As cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração. A bandeira vermelha é acionada quando é preciso ligar usinas termelétricas mais caras, por causa da falta de chuvas. Ela custa R$ 3 no patamar 1 e R$ 5 no patamar 2, a cada 100 kWh consumidos e frações. A bandeira amarela custa R$ 1 e a verde não tem custo adicional.


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