Indaiatuba

Busca por vacina contra febre amarela lota UBS

A procura pela vacina contra a febre amarela aumentou consideravelmente neste início de ano. Isso porque, um mês depois do governo federal anunciar o fim do surto da doença no Brasil, a detecção do vírus em um macaco na capital paulista trouxe de volta o debate sobre os riscos de expansão da doença e suas formas de controle.

A aposentada Cida Lanci até pensou em tomar a vacina, mas, quando foi até a unidade de saúde do Jardim do Sol, desistiu. "Fui lá e eles me disseram que tem a vacina, mas, é necessário agendar, por conta da grande procura. E eu, que tenho mais de 60 anos, preciso ainda passar pelo médico, e só tem consulta em março", conta. Cida falou que não está afobada por tomar a vacina. "Não há surto na cidade, e eu nunca fui muito preocupada com essas coisas. Acho que as pessoas se desesperam muito rápido", conclui.

Em consulta a alguns postos de saúde, fomos informados de que as vacinas vão sendo enviadas conforme a demanda, e que os lotes dependem da procura. Em nota, a Secretaria da Saúde garantiu que não houve qualquer registro de febre amarela em Indaiatuba - nem em humanos, nem em animais.

Alessandra M. B. Morais se diz preocupada e aguarda na fila para tomar a vacina. "Soube de surtos em cidades próximas e fiquei com medo. Por isso, fui até o posto e fiz o agendamento", comenta.

Uma moradora da Vila Todos os Santos, que prefere não ter o nome divulgado, disse que foi até a UBS 9 e foi informada de que um lote de vacinas chega na próxima semana. A informação foi confirmada pelo pessoal da unidade; mas, assim como ocorre em todos os postos, não há falta de vacinas ali, mas devem respeitar os agendamentos.

Intensivo

A nota da Prefeitura também lembra que, desde abril de 2017, foram vacinados os moradores da área rural e de outubro em diante a vacina foi estendida a todos. No total, estima-se que 70% da população esteja imunizada.

Indaiatuba segue com a aplicação da dose padrão da vacina, e os munícipes devem procurar a unidade mais próxima de suas residências. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que as pessoas que já se vacinaram com a dose padrão contra a doença, em algum momento da vida estão imunizadas e não precisam receber reforço.

A Prefeitura esclarece que todos os que procuram as unidades de saúde estão agendando as imunizações, e que o atendimento trabalha com prioridades, como os que têm viagem marcada, por exemplo. A vacinação só é possível mediante agendamento, pois as vacinas são fornecidas pelo Ministério da Saúde e distribuídas pela Secretaria de Estado da Saúde aos municípios, de acordo com a demanda agendada.

Rede particular

A forma mais eficaz e segura para não pegar a febre amarela é a vacinação. Para quem vai entrar na mata ou caminhar nas suas bordas, além da vacina, é indicado o uso de camisas de manga longa e repelentes.

Na rede particular, a imunização contra a febre amarela está entre R$ 150 e R$ 170. Larissa P. Barafaldi, gestora da Ymunomaster, fala que a procura pela vacina em dezembro de 2017 era de quatro doses por semana. "Hoje atendemos em média 50 ligações por dia. Sem contar as que não conseguimos atender, pois nossas linhas estão sobrecarregadas. Ainda tem as inúmeras mensagens de Whatsapp, Messenger, e-mail e Facebook. A procura pela vacina contra febre amarela, bem como por outras vacinas como a gripe, aumenta de forma exponencial sempre que ficam em foco nos meios de comunicação", aponta.

"A média mês, antes das notícias de surto do ano passado e desse ano, era de, no máximo, duas doses. A procura era basicamente por pessoas que iam viajar para países que exigiam a vacina. A previsão de recebermos novo lote é em março, devido ao processo de importação da vacina pelo laboratório fabricante Sanofi", completa Larissa.

"A procura pela vacina da febre amarela sempre foi maior no final do ano, pois é época de férias e viagens para o exterior. Contudo, grande parte das clínicas privadas estão sem doses de vacinas de febre amarela. Estamos aguardando o laboratório Sanofi Pasteur trazer mais doses para o Brasil", complementa as enfermeiras Heloísa e Josiele, da Indaiá Vacinas.

Importação

A assessoria da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (Abcvac) divulgou, nesta quinta-feira, que o Sanofi Pasteur pediu a aprovação da Anvisa para importar novo lote da vacina, com embalagem internacional. Após o consentimento, o laboratório reiterou à Associação que já fez o pedido e que o lote estará disponível em 30 dias.

O presidente da Abcvac, Geraldo Barbosa, salientou que no mês de janeiro não haverá reposição de estoque da vacina de febre amarela nas clínicas de vacinação particulares. "A previsão é que - caso o Carnaval não atrapalhe - novas doses sejam recebidas no final de fevereiro", comentou.

Equívoco

Apesar dos constantes esclarecimentos da Saúde estadual e municipal, muitos macacos têm sido envenenados. Por isso, o poder público ressalta que a febre amarela, tanto na forma silvestre quanto na urbana (que não ocorre no país desde 1942) não é transmitida pelos primatas.

A doença de origem silvestre é viral e transmitida por mosquitos contaminados por vírus dos gêneros Sabethes e Haemagogus, e ocorrem em áreas de mata. Os macacos são somente vítimas da doença, tanto quanto os humanos. Na verdade, eles atuam como sentinelas, indicando a presença do vírus nas proximidades.

Dessa forma, entre as recomendações, é importante não mexer ou transportar os macacos, já que há risco de contaminação por outras doenças (e não a febre amarela). A orientação é ligar imediatamente para a Vigilância Epidemiológica, no (19) 3834-9016 ou 9230, ou pelo e-mail [email protected]

Em casos de encontrar macacos vivos sadios, não se deve capturá-lo, transportá-lo, alimentá-lo ou maltratá-lo, tampouco matá-lo. Agredir os animais se configura crime ambiental, além de prejudicar os trabalhos de prevenção dos surtos de febre amarela.


Fonte:


Notícias relevantes: