Indaiatuba

Calor, entulho e presença de insetos atraem escorpiões aos imóveis

A presença de escorpiões ainda incomodam os munícipes. Desta vez, moradoras do Jardim Renata e Vila Lopes, onde a dona da casa localizou dois em apenas dois dias.

"Eram por volta das 21h do dia 11 de janeiro, quando encontramos um escorpião e o matamos. No dia seguinte, vimos outro na parede. Ficamos apavorados", conta Sandra R. F. Dainese, da Vila Lopes.

"Conversei com quatro vizinhos, mas eles não viram nada. Tem uma obra atrás de minha casa e acredito que o entulho que está nos fundos da obra é que trouxe os animais para cá", acredita Sandra.

Ela falou que entrou em contato com a Prefeitura, porém, não recebeu atenção. "Apenas me explicaram como evitar que entrem em casa, como vedar ralos e dedetizar. Estamos sempre vigilantes. Vivi 50 anos em São Paulo e nunca vi isso. Moro a 100 metros do Parque Ecológico, área nobre, e tenho de conviver com este tipo de coisa", reclama.

No Jardim Renata, uma moradora, que prefere não ter o nome divulgado, também registrou a presença de um escorpião na garagem. "Vimos ele preso no tapete que fica na garagem. Eu tirei uma foto e, logo em seguida, não estava mais lá - acredito que algum pardal tenha comido ele", relata.

Ela fala que existe uma obra desativada próxima à residência e que ali há muito lixo. "Acredito que eles venham dali, pois há uma grande quantidade de entulho no local, além de usuários de drogas e bandidos, o que nos preocupa bastante", afirma a moradora.

No início de outubro de 2017, a Tribuna publicou uma reportagem sobre a incidência de escorpiões. À época, a autônoma Janaína Calonga disse em entrevista que encontrou a solução para o problema, com a aquisição de galinhas d'Angola, predadoras do animal. "Elas comem baratas também, o que é muito bom, já que esses insetos são presas do escorpião", comentou Janaína.

Ambiente

Conforme divulgado também na ocasião da reportagem, o soro contra veneno de escorpião não está disponível no município, mas sim, no Hospital das Clínicas da Unicamp.

A Secretaria de Saúde e Vigilância Sanitária, por sua vez, ressaltou que a presença de escorpiões fica mais presente nesta época do ano, devido ao período de reprodução do aracnídeo, e devido ao aumento da temperatura e de insetos, que são sua alimentação.

Em relação ao soro antiescorpiônico, a Pasta explica que a aplicação é um serviço do Centro de Controle de Intoxicação (CCI), pertencente à Unicamp, referência da região. Se houver a necessidade da aplicação do soro, após avaliação médica, o paciente será encaminhado para a Unicamp ou o soro será trazido para Indaiatuba para o tratamento.

O biólogo Giuseppe Puorto, do Conselho Regional de Biologia, reforça que o calor é responsável por 40% das ocorrências com escorpiões. "O problema é comum nas regiões urbanas, especialmente no verão. Eles invadem as casas atrás das baratas, mas acabam também buscando onde se alojar", observa o biólogo.

Segundo o especialista, nas grandes cidades a espécie mais perigosa é o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), que se reproduz por partenogênese (ou seja, a fêmea se reproduz sozinha). E que a melhor maneira de evitar a visita desses aracnídeos é justamente manter os lugares limpos, livres de entulhos. "No quintal de casa evite o acúmulo de telhas ou de tijolos, por exemplo. Eles podem se esconder entre as frestas. E se perto de casa tiver algum terreno baldio, é importante que seja solicitada a limpeza do local", orienta Puorto.

Se for picado, o especialista recomenda que procure um serviço de atendimento médico o mais rápido possível. "A pessoa deve ser levada para o local mais próximo que tiver. Primeiramente, é aplicado medicamento para aliviar a dor; depois, se for o caso, é aplicado o soro antiescorpiônico. O medicamento neutraliza as toxinas do veneno circulante no corpo", esclarece Puorto. A aplicação é geralmente indicada para crianças e idosos, considerados maior grupo de risco.


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