Indaiatuba

Cadela morre por enforcamento em casa no Jardim dos Colibris

A Associação Protetora dos Animais de Indaiatuba (Aprai) divulgou na quarta-
feira um caso de maus-tratos a uma cadela de oito meses, no Jardim dos Colibris. Segundo denúncias de vizinhos, o tutor deixava o animal constantemente amarrado a uma corrente muito curta, na qual o cão veio a se enforcar. Além disso, há relatos de que ele batia na cachorrinha.

"Nós recebemos as denúncias e fomos apurar", lembra Nazareth Silva, presidente da Aprai. "Fomos até o endereço e notificamos o proprietário para comparecer e dar esclarecimentos. Então, o dono veio aqui e apresentou suas justificativas."

De acordo com Nazareth, o tutor do animal disse que precisava deixá-lo preso, para que não incomodasse os vizinhos, já que outras pessoas dividem a área do imóvel em que reside. "Ele, inclusive, falou que estava procurando outra casa, onde pudesse deixar a cachorra solta. Disse também que sabia ser errado deixar ela amarrada, mas que não tinha outra solução naquele momento", comenta.

Todavia, as denúncias de maus-tratos em relação à cadela foram relevantes. A voluntária da Aprai, Jamile Palamedi, estava a caminho da residência no Colibris, quando recebeu, pela rede social, uma imagem do animal já enforcado pela corrente onde vivia amarrado. "Eu tinha recebido uma denúncia da irmã da dona da cachorra, afirmando que o cunhado batia muito nela", revela.

A Tribuna teve acesso à mensagem gravada pela cunhada do agressor: "(...) de verdade, eu fiquei desesperada a hora que vi isso, gente. Cachorro pequeno come de tudo e por isso eles batiam muito nela. Passei dois dias morando com eles e via que eles batiam nela. Teve até uma vez, em que eu presenciei um vizinho que passava na rua e pediu para que ele parasse de bater nela (...)."

Na gravação da mensagem, a cunhada do agressor chorava e dizia que estava "muito mal" pelo ocorrido. "(...) chegar nessa situação de amarrar ela numa corda no alto é maldade demais. A hora em que vi essa foto (da cadela morta) não acreditei. Eu converso pouco com minha irmã e agora estou até com medo de sair na rua porque as pessoas sabem que sou irmã dela (...)."

Indignação

Jamile também se diz indignada com o caso. "Quando estávamos a caminho da casa recebemos a imagem da cachorra morta, pendurada na corrente. A sensação que tivemos naquele momento, nem dá para explicar... Estamos inconformados, porque era óbvio que o animal poderia se machucar naquelas condições, e ele sabia disso, mas não fez nada", lamenta a voluntária.

Ela destaca ainda que, ao chegarem na casa e presenciarem a cadela já sem vida, o agressor demonstrou total frieza. "Ele e a mulher agiram como se nada tivesse acontecido; daí ele pegou o animal e colocou em um saco preto", narra Jamile.

As voluntárias também foram informadas por uma moradora do imóvel de que havia salvo a vida da cadela em outra ocasião. "Ela contou que, certa vez, viu que a corrente estava enroscada no pescoço da cachorra e, então, foi lá e desenrolou; senão, talvez o animal já tivesse morrido antes", considera.

A história da cadelinha de menos de um ano causou comoção nas redes sociais. Os próprios moradores do bairro divulgaram as imagens do animal antes da morte, atestando as condições em que este vivia. A Aprai fez o Boletim de Ocorrência (BO) na tarde de quinta-feira, dia seguinte ao ocorrido.

"Ele será indiciado por maus-tratos; tal atitude não se justifica, tendo em vista que o animal estava claramente em risco. Infelizmente, não deu tempo de salvarmos este, mas, a atitude dos vizinhos em denunciar nos ajuda bastante a interferirmos em casos de agressão e morte de animais. Essas pessoas têm de ser punidas", reforça Jamile.


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