Onça-parda capturada retorna à natureza

Indaiatuba

Onça-parda capturada retorna à natureza

A onça-parda capturada em um hotel na divisa entre Indaiatuba e Campinas não precisou ficar no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio - órgão federal) para tratamento. O felino foi detido com um cabo de aço pelos funcionários do hotel, no dia 12 de fevereiro, e encaminhado pelos bombeiros ao projeto Corredor das Onças, iniciativa do ICMBio em parceria com o Instituto de Economia da Unicamp.

Há algum tempo o animal rondava o local, já que ali existe a criação de galinhas, patos e coelhos; de acordo com o pessoal do estabelecimento, alguns desses animais de criação desapareceram e eles acreditam que tenham sido mortos pela onça parda. Dessa forma, uma armadilha de laço foi preparada para a captura do felino.

"Eles jamais deveriam ter montado esta armadilha ali, pois, trata-se de área de preservação permanente (APP); e o ato se configura crime ambiental", salienta Márcia Rodrigues, chefe da unidade de conservação do projeto Corredor das Onças, em Campinas. "A onça foi amarrada com cabo de aço e a sorte é que não estava muito apertado, senão poderia ter ocasionado ferimentos sérios em Maika (nós a batizamos com este nome)."

Márcia lembra ainda de caso similar, ocorrido em Amparo, em 2016. "Uma onça macho foi retirada de cabo de aço, e três dias depois o felino estava com o abdome aberto, e tivemos de mantê-lo em tratamento durante 58 dias. Esse tipo de material, quanto muito apertado, impede a circulação sanguínea e a passagem de oxigênio; dependendo da tensão do laço e o tempo em que o animal ficou amarrado, pode realmente causar a isquemia", salienta.

Após ser encaminhada ao Corredor das Onças pelos Bombeiros, Maika ficou em observação por 24 horas, recebeu um chip de monitoramento e foi solta. "Ela chegou aqui, e logo depois comeu carne e bebeu água; é um animal jovem e estava saudável. Por isso, após o período de observação pudemos devolvê-la à natureza", comenta.

Márcia também alerta para o procedimento no caso de encontrar espécies silvestres. "No caso do hotel, o que eles deveriam ter feito era reforçar o alambrado onde ficam os animais domésticos. O estabelecimento fica em área de mata, e o ser humano deve se adaptar à fauna local, e esta, precisa sobreviver, mesmo com seu espaço dominado pelo homem", argumenta.

A onça-parda (Puma concolor) é o maior predador da região, e o felino é utilizado como espécie bandeira do corredor ecológico a ser implantado. "Ela é responsável pelo controle da população de capivaras, e este controle é uma questão de saúde pública, pois, a capivara traz o carrapato causador da febre maculosa", ressalta Márcia. "Assim, protegendo a onça parda estaremos evitando a explosão populacional da capivara e outras espécies favorecidas pelo ambiente modificado pelo homem."

Conscientização

O projeto Corredor das Onças busca conscientizar produtores rurais sobre a restauração e preservação de nascentes e rios, e consequentemente, da fauna em geral. "O projeto prevê a implantação de subsídios, por meio da iniciativa privada, a produtores rurais que se comprometerem a promover uma agricultura sustentável, já que este é o setor que mais consome e necessita dos recursos hídricos", explica. "Isso irá beneficiar não só a natureza, mas também a propriedade rural, a cidade e indústrias locais."

Atualmente, o projeto possui o cadastro de 200 propriedades rurais de Cosmópolis, Artur Nogueira, Santo Antônio de Posse e Holambra. "Visitamos cada uma delas e orientamos quanto à produção sustentável; tudo é feito com apoio do Ministério do Meio Ambiente", acrescenta Márcia.

Sobre a implantação do projeto em outras cidades/regiões, Márcia assegura que é possível, mas hoje esbarra no problema da crise. "Nossa intenção é a de expandir o projeto assim que esta crise passar; contudo, é necessária ação do poder público municipal/estadual. A prefeitura, por exemplo, pode solicitar o plantio de mudas como compensação no licenciamento de empreendimentos - estes devem ter, pelo menos, 25% de área verde, e se não estão próximos a mata, devem promover o plantio", conclui Márcia.


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