Indaiatuba

Óleo de cozinha reciclado vira biodiesel para frota de veículos

Indaiatuba é o primeiro município no Brasil a produzir biodiesel a partir de óleo vegetal e gordura animal. O projeto é mantido pelo Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae) e a Secretaria de Urbanismo (Semurb), e visa dar destinação adequada ao óleo de cozinha usado, evitando que este seja despejado em ralos e/ou vasos sanitários e contaminem o meio ambiente.

O biodiesel urbano é convertido em combustível limpo (não poluente), que abastece a frota de veículos municipais. A tecnologia, desenvolvida e patenteada pela Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, foi implantada na cidade em outubro de 2006, e desde então, busca alternativa sustentável para o óleo utilizado pela população.

A cooperação dos munícipes é essencial para o projeto, segundo o coordenador Lutero Lima Junior. "Se as pessoas separarem o óleo corretamente, em garrafas pets, cada vez menos este resíduo será jogado na rede de água".

O óleo de cozinha também pode ser armazenado em garrafas pet, depositadas em um dos 33 ecopontos. Ali também há espaço para os demais recicláveis. "A garrafa pet também é reciclada, sendo levada para triagem no aterro sanitário", completa Lutero.

Ele destaca também os danos causados pelos resíduos quando depositados na natureza. "Cada litro de óleo saturado polui um milhão de litros de água. Nos encanamentos, causa entupimentos, refluxo de esgoto e rompimentos em redes de coleta. Em contato com a rede de tratamento, o óleo forma uma barreira sobre a água, impedindo sua oxigenação", detalha.

Sobre o descarte, Lutero salienta que o óleo de cozinha só pode ser utilizado por até três vezes na preparação dos alimentos. "Já na fritura de peixes, apenas uma vez. O padrão estabelecido para a fabricação do biodiesel admite no máximo 30% de resíduos sólidos no óleo, que são os restos de alimentos."

Coleta

O óleo de fritura é coletado por dois servidores públicos, de segunda a quinta-feira, no período das 8h às 17h; e às sextas até às 16h. Se a pessoa tiver mais de 10 litros de óleo de cozinha descartado separados, basta entrar em contato com a Semurb, no telefone 3825-5410; ou com o Saae, no 0800 7722 195.

"Há clandestinos que passam de carro recolhendo, mas eles não têm consciência ambiental e pensam apenas no valor comercial; o que não serve eles descartam em qualquer lugar", alerta o coordenador.

Hoje, o programa conta com 204 cadastros, que incluem ecopontos, escolas, igrejas, condomínios e comércio. Em 2017, o município ainda economizou R$ 40,2 mil na compra de diesel para abastecer a frota.

Economia

Assim que o óleo chega à usina, passa pela separação e fracionamento. O próximo passo é o processo de filtração, que deixa o óleo mais limpo. Em seguida, vai para um reator. "Em duas horas, conseguimos produzir até 800 litros de biodiesel. Nossa capacidade atual é de produzir 10 mil litros por mês", comenta.

A Secretaria recebe mensalmente 5,3 mil litros de óleo de cozinha, sendo 1,3 mil/mês convertidos em biodiesel, que abastece as frotas da Prefeitura e do Saae. "O restante é utilizado como matéria prima para materiais, que são vendidos, e os recursos destinados ao Funssol", conclui Lutero.


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