Indaiatuba

Contrato com Sancetur será investigado por vereadores

Imbróglio

A novela do transporte público de Indaiatuba continua. Nas duas últimas semanas, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários vem organizando manifestações na Câmara de Indaiatuba, junto aos funcionários da Companhia de Transporte de Indaiatuba (Citi), antiga operadora dos coletivos municipais. Eles pedem que os vereadores investiguem o contrato emergencial com a SOU, da Santa Cecília Turismo (Sancetur). Os representantes do Legislativo concordaram com a solicitação.

Pela segunda semana consecutiva, na sessão do dia 5 de março, os trabalhadores e representantes do jurídico sindical compareceram diante dos vereadores, chamando a atenção para a questão do transporte público. Todavia, os ânimos se exaltaram, já que o sindicato levou ainda seguranças ao local; por fim, a sessão foi interrompida e uma nova data foi marcada para entender as reivindicações da categoria.

Assim, na tarde da quarta (7), eles novamente se reuniram na Câmara. "Viemos atéaqui somente para ouvi-los", começou o líder da casa, Hélio Ribeiro (PSB). O representante jurídico dos Rodoviários iniciou falando sobre o passivo trabalhista assumido pela Citi. "A Indaiatubana ficou devendo R$ 5 milhões aos trabalhadores e a Citi vem fazendo os pagamentos", declarou. "Além disso, soubemos de irregularidades na SOU, como atrasos, e a empresa não é multada, enquanto a Citi sempre recebia multas."

Outro problema mencionado pelo sindicato é a cobrança das tarifas feita pelos motoristas da nova empresa. "Recebemos muitas reclamações sobre isso, e levamos a questão ao Ministério Público (MP) do Trabalho, já que o motorista não pode exercer a função de cobrança, porque compromete a segurança de todos. Ou eles deixam 100% da bilhetagem eletrônica ou coloquem cobradores", ressaltou o representante.

Após muita discussão e argumentos, o grupo de vereadores presentes questionou a real reivindicação dos manifestantes. "Nós queremos que a Câmara investigue o contrato emergencial do transporte público de Indaiatuba", resumiu a representante sindical. 

A Tribuna fez questionamentos ao departamento jurídico do sindicato, porém, até o fechamento desta edição, não obteve resposta. 

Sem vagas

A pendência sobre os empregos dos 148 trabalhadores da Citi não entrou na pauta. Durante o encontro, acompanhado pela Tribuna, alguns trabalhadores se manifestaram.

Os trabalhadores foram unânimes em negar admissões na SOU. "O Maia (gerente da SOU) disse que jamais terá lugar para cobrador", destacou Lucírio de Oliveira (o Zacarias). Ele atua na função há oito anos e contou que nem chegou a procurar emprego na Sancetur por conta desta afirmativa.

"Todos os que estão indo lá já não encontram mais vagas", adicionou Rosa Cristina. "Eu mesmo liguei na SOU para fazer um teste e falei que queria trabalhar ali, mas me disseram que teria de esperar alguém se desligar. Se a Citi ficar ou não, estamos desempregados; não podemos sair antes da justiça bater o martelo", falou um motorista que não se identificou.

No momento em que os funcionários da Citi conversavam com a Tribuna e os vereadores, a outra representante sindical chamou a todos para se retirarem, dizendo que não iriam resolver mais nada ali.

Atualmente, motoristas, cobradores e demais funcionários continuam empregados pela Citi, inclusive, recebendo salários e benefícios. "A Citi assumiu até a dívida da Indaiatubana com a gente, e vem pagando em dia", garantiu Zacarias.

Ele também revelou que foi fixado um cartaz na garagem da Citi, informando a data de 20 de março para a decisão judicial. "Nosso gerente, o Pedrinho, já avisou que, se perdermos, ele vai nos indicar vagas; seremos demitidos e receberemos tudo. Quanto ao prefeito, dei muito apoio para ele, mas o que ele fez no transporte está errado. Na segunda que vem vamos na Câmara de novo, para mostrar nossa indignação. E contamos com os vereadores na investigação", concluiu Zacarias.

Questionada sobre o cartaz, a direção da Citi não se manifestou até o fechamento da edição.


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