Indaiatuba

Iniciativa busca levar informações

Allegra é uma garotinha de 5 anos e frequenta o Cirva duas vezes por semana. "Às segundas-feiras ela faz terapia ocupacional, fonoaudiologia e musicoterapia; e às sextas, ela passa com a psicóloga. Cada terapia dura cerca de 30 minutos", explica a mãe, Camila Rodrigues Celio Matiazzi. "Até o final de 2017, tive de reduzir uma terapia por causa do horário dela na escola. Mas isso foi opção minha."

A pequena iniciou as terapias no Cirva aos 2 anos e meio de idade. "Na época, ela não falava, mas, entre os 3 e 4 anos começou a emitir palavras. Antes do Cirva, a Allegra não tinha interação social, e as monitoras da creche não conseguiam enxergar o autismo dela, mesmo com as evidências: não interagia com outras crianças, não falava, não compartilhava os brinquedos", lembra Camila.

"As terapias auxiliaram muito, mas ela deixou a creche sem falar o nome de nenhum amiguinho. Outra vantagem das terapias é que esses profissionais ajudam os pais a lidarem com os filhos autistas", revela.

Sobre o preconceito, Camila informa que há muito ainda. "Não me envergonho de dizer que minha filha é autista. Mas, tem momentos em que não dá para explicar cada comportamento dela, e as pessoas ficam olhando de canto de olho, como se estivessem dizendo que eu não dou educação para ela", argumenta. "Isso acontece em shoppings ou locais onde ela não tem paciência de esperar - ela começa a se jogar no chão e berrar."

A mãe diz que, em situações assim, bater na criança não resolve. "Eu costumo corrigir a Allegra, como acontece com qualquer criança. Não é porque ela é autista que não leva bronca", conta Camila. "Mas tem momentos em que percebemos que não é birra, e sim, crise, que gera muita ansiedade nos autistas. Por isso, evitamos ir com ela a certos lugares que podem desencadear essas crises."

Proximidade

Camila tem ainda outra filha mais velha, Leonora, de 10 anos. "Meu marido e eu costumamos reservar dias para sair com a Leonora, porque as saídas com a Allegranos absorve completamente. Achamos importante dividir a atenção para manter a harmonia familiar e colaborar no tratamento da Allegra", pontua.

"O autista é extremamente carinhoso, ao contrário do que muita gente pensa. E também não é uma criança que gosta de ficar sozinha; a Allegra não fica em ambiente sozinha, ela não gosta - apesar de estar com o tablet ou vendo TV, e não se comunicar com quem está em volta, ela precisa da nossa presença", alerta a mãe.

Por razões como essas, Camila ressalta que a caminhada é importante para conscientizar as pessoas. "Este tipo de ação chama a atenção, e reúne um grupo com uma causa em comum. Mais do que isso, pretendemos fazer um trabalho forte de conscientização na feira, junto à sociedade. Vamos distribuir panfletos e conversar com as pessoas sobre o autismo", esclarece.


Fonte:


Notícias relevantes: