Indaiatuba

Casos de zoofilia em Elias Fausto assustam protetores animais

SUSPEITA

Casos de violência sexual contra animais vêm sendo alvo de preocupação de protetores. De acordo com denúncias, a prática de zoofilia no município envolve cães, galinhas, equinos e até bovinos.

"Em menos de uma semana, dois cães sofreram violência", conta Francine Bordon. "O primeiro caso foi com um cachorro, que eu agora estou cuidando. Só fui descobrir que ele tinha sido estuprado depois do atendimento veterinário. Não fiz BO (Boletim de Ocorrência) porque ainda não tenho provas, mas assim que conseguir, vou fazer."

A segunda vez foi com uma cadela, que sempre foi cuidada pelos moradores da rua de Francine. "Ainda não sabemos se foi estupro, porque aguardamos o laudo da veterinária. Mas, a vulva da cachorrinha necrosou e é necessário aguardar desinchar para saber o que realmente ocorreu. Há suspeita de Tumor Venéreo Transmissível (TVT), porém, a veterinária falou que não está descartado o estupro", diz Francine.

A protetora animal se diz bastante preocupada com os números da violência contra animais em Elias Fausto."Soubemos de outros casos de zoofilia, principalmente, com galinhas; mas também tem equinos e até bovinos que são vítimas", aponta. "Eu, inclusive, já presenciei várias situações de maus tratos a animais."

O cachorro vítima de abuso vive hoje com Francine, junto a outros 17 animais dos quais ela cuida. "Eu recolhi ele das ruas e banquei o tratamento. Já a cadelinha recebia cuidados da vizinhança, até o dia em que desapareceu. Após seis dias sumidas, ela voltou e, ao chegar na nossa rua, desmaiou; ela também sangrava muito. O tratamento dela foi bancado, inicialmente, pela ONG Causa Animal Elias Fausto (Caef), criado pela primeira-dama da cidade. Agora, a cadelinha foi adotada e a nova tutora está pagando os cuidados veterinários", completa Francine.

Apoio

A protetora diz que já chegou a receber ameaças por conta da defesa aos animais. "Todos os animais que estão comigo vieram de maus tratos como violência e abandono, e até atropelamentos. O problema é que estamos sozinhos, sem apoio da polícia ou do poder público. Fazemos o que é possível, mas são muitos casos", lamenta.

Ela pediu apoio da Associação Protetora dos Animais de Indaiatuba (Aprai), da qual também é voluntária. "Quando a Francine me procurou e contou o que está acontecendo em Elias Fausto, percebi que a cidade está completamente desamparada quanto à causa animal", argumenta Nazareth Silva, representante da Aprai. "Ela é nova na proteção, mas tem vontade de aprender; e está agindo praticamente sozinha em defesa dos animais."

Francine fala ainda que realiza um trabalho junto aos tutores, orientando sobre os cuidados com os animais. "Eu vou lá, explico como funciona a lei, e eles têm acatado as orientações muito bem", revela.

Procurada pela Tribuna, a Caef apenas respondeu que não recebeu notificações de outros casos, porém, garantiu apoio caso surjam. "Elias Fausto precisa de ajuda", prossegue Nazareth. "Eu, em nome da Aprai, me coloquei à disposição para auxilia-los nos casos de maus-tratos aos animais. Aqui em Indaiatuba nós temos 100% de apoio da polícia e do poder público; e o mesmo deveria ocorrer lá. A polícia é obrigada a acompanhar crimes contra animais, está na lei, até mesmo para assegurar a integridade de quem denuncia e resgata os animais dessas situações."

Por fim, Nazareth reforça o alerta: "Nossa arma é a denúncia, já que a omissão também é crime. Se você sabe que seu vizinho maltrata um animal e fica calado, você se torna cúmplice deste tipo de ação", enfatiza.

No âmbito da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), há o inciso que criminaliza a zoofilia (incluso em junho de 2015). O substitutivo também fixa a pena de detenção de um a três anos, e multa para os casos de maus-tratos contra animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.


Fonte:


Notícias relevantes: