Indaiatuba

Reinaldo descarta candidatura e diz que PV foi decisão pessoal

Partido Verde

"Na verdade, quem trouxe o PV para Indaiatuba fui eu, em 1996. Fez coligação com a gente. Inclusive, o atual prefeito (Nilson Alcides Gaspar) foi candidato a vereador (recebeu 386 votos e não foi eleito)", lembra. "Depois disso, por volta de 2004, o PV saiu do grupo, por outros motivos. Sempre tive um carinho especial, o meu pai (Leonício Lopes Cruz) foi presidente do partido em Indaiatuba, até mesmo porque sou formado em Direito, mas sou técnico agrícola. Sempre gostei das questões ambientais e se analisarmos os meus governos, tirando o básico, que são saúde, educação e segurança, tivemos muitas premiações envolvendo questões ambientais".

"O vereador Luiz Carlos Rossini, de Campinas, é amigo da minha família há 20 anos e sempre me convidou para estar no PV. Lá atrás, recebi convite do José Luiz Penna, que é presidente nacional até hoje, e até do deputado estadual Chico Sardelli, mas construí minha história em cima do PDT e fui para o MDB em 2011, em uma ida estratégica, visando trazer o melhor para a minha cidade. Na época, fui convidado pessoalmente pelo então vice-presidente Michel Temer", recorda.

Projeto

Nogueira destaca: seu único envolvimento com a política é no trabalho de reeleição de seu irmão, o deputado estadual Rogério Nogueira (DEM). "Acredito que minha estada dentro do MDB foi muito frutífera para Indaiatuba e região, pois também ajudei outros prefeitos. Agora que já estava parando, passei o bastão para o Gaspar. Minha preocupação eleitoral se restringe à reeleição do Rogério", enfatiza. "sei o quanto é importante para um prefeito e uma cidade ter um deputado que dê sustentação, não apenas por emendas parlamentares, mas também por muitas situações de processos que ocorrem dentro do governo e o deputado pode ajudar".

Reestruturação

"Estou 100% dedicado aos meus negócios e à minha reestruturação. O que eu fiz em termos de organização e produtividade na Prefeitura, estou tentando implantar nas minhas coisas, que ficaram um pouco para trás", aponta. "Estou me dedicando mais à família, coisa que sacrificava, pois a parte política toma bastante tempo".

Eleições 2018

"O Rossini esteve almoçando comigo em Indaiatuba e aceitei o convite porque, em outro partido, saio um pouco do foco político. E posso continuar me dedicando à atividade rural e empresarial, sem estar atuando na ponta. Dos bastidores, posso ajudar bastante", revela. "É lógico que quando você faz uma mudança de partido, a primeira coisa que vem na cabeça é ser candidato. Se fosse para eu ser pré-candidato, estaria me filiando ao PRB. Acho que é um partido mais fácil para se eleger e desvinculado de qualquer outra coisa".

Apoio

Reinaldo destaca que irá apoiar Hamilton Lombardi, que comandará uma comissão provisória do partido entre os meses de abril e agosto. "No registro do PV, consta o nome do Hamilton como pré-candidato a deputado federal e eu respeito. Inclusive, aqui em Indaiatuba, até para minha surpresa, conversei com o Arthur (Machado Spindola, vereador pelo PV) em frente a uma escola", revela. "Já falei na direção estadual e deixei bem claro que não quero participar de Executiva, nem municipal, nem estadual. Vou tocar minha vida, conhecer o vereador pessoalmente. Não quero interferir no mandato dele, as autoridades dentro do partido hoje, na cidade, são ele e o Hamilton".

Oposição

Reinaldo comentou o fato de, até pouco tempo, o PV ser sinônimo de oposição ao atual grupo político no poder. "Quem fez a oposição foram as pessoas e não o partido. Minha política sempre foi de somar", destaca. "Meu foco é me reorganizar e sou candidato a me defender em minhas questões judiciais, que é uma coisa que se estende e não de uma hora para outra que se resolve, e tenho documentos que provam minha inocência".

Migração

O ex-prefeito revela que não convidou ninguém de seu atual grupo político para compor o PV. "Foi uma decisão minha, me senti confortável, feliz e fui muito bem acolhido. O MDB está em boas mãos".

Desfiliações

Sobre as desfiliações que aconteceram após sua entrada no PV, foi enfático. "Quem está, já construiu o quê? Há quanto tempo está filiado? Estava no outro grupo político e estava usando o PV como alavanca para futuras coligações?".

Defesa

"Até 2015, não tive um processo criminal. Quando entramos no período eleitoral, veio uma avalanche de situações. O MP está fazendo seu papel, quando recebe uma acusação. Mas tenho documentos para provar minha inocência. Quem pode falar qual obra de Indaiatuba foi superfaturada? Qual foi paga e não feita medição? Qual teve desvio de dinheiro? Quanto a estas situações, me sinto muito tranquilo. E duvido que tenha um prefeito da região que conseguiu tantas parcerias em busca de uma Indaiatuba cada vez melhor, principalmente nos dois primeiros mandatos, quando a cidade não tinha recurso para nada".

Últimos anos

"Foi um alívio sair da Prefeitura, a responsabilidade é muito grande. Voltei a ser um cidadão comum. Reservando um tempo para os amigos, a família, os filhos. Antes, chegava 22h em casa. Na idade em que eles estão, a presença do pai é muito importante", ressalta.

"Quanto às questões jurídicas, estou aqui para me defender e acredito que tenho material suficiente. Tudo está em primeira instância, mas estou com a consciência tranquila, pois sei que nunca usei R$ 1 que não fosse meu. E de tudo aquilo que consegui trazer e fazer pela minha cidade. Não é fácil passar pelo que passei, mas está sendo superado. Quando à interpretação disso, só mesmo o juiz, junto com a sua assessoria técnica, para fazer o julgamento".

"Estou enfrentando de cabeça erguida, não tenho nenhum constrangimento e encaro as pessoas olhando no olho, porque não devo nada para ninguém. Sempre quando indagado, respondo. Agora estou levando uma vida normal, tenho minhas autorizações judiciais para trabalhar e uso elas estritamente para isso".

Prefeito

Daqui para frente, vai ser cada vez mais difícil achar um candidato que tenha conhecimento empresarial e seja empreendedor. Porque, no terceiro escalão, se acontecer alguma coisa errada, quem paga é o prefeito. Quem vai colocar seu nome à disposição, sendo que corre todos esses riscos, que eu estou passando na pele?

Retorno

"Tenho alguns desafios hoje, na minha vida profissional. Trouxe inovações e conquistas para Indaiatuba. Quero isso para a minha vida", analisa. "Quanto a futuras candidaturas, passa pelo crivo familiar, em primeiro lugar. Nunca mencionei isso depois que saí e não o farei em tão curto prazo. Se tiver uma resposta positiva, posso pensar".

"Tenho motivação e vontade, mas até onde vai fazer bem para mim? Primeiro, devo correr atrás de minhas ações e resolver meus problemas judiciais. Num segundo momento, pensar na política. Neste meio tempo, se puder ajudar, estou aqui".

Realizações

"Dois fatores me confortam. O primeiro é a família. O segundo é que vai ser difícil um prefeito fazer tantas realizações como fiz, até separando por mandato. O primeiro e segundo foram difíceis. Nos demais, conseguimos agregar muito à cidade e me realizei, concretizando sonhos como político e executivo da cidade. E por último, o carinho que recebo da população".

Constrangimento

Reinaldo fala sobre as duas vezes em que foi preso. "Foi o fundo do poço. Acho que não precisava disso. Para minha família, filhos e meus pais. Pesado ver o que construímos e passar por uma situação como aquela, principalmente da segunda vez, que fizeram questão de ficar me expondo mais de uma hora e meia, sem necessidade. Nos dois ocorridos, se tivessem me chamado, eu teria ido".

"Quando teve a busca e apreensão, mesmo sendo uma pessoa de bem, nenhum bandido teve uma atenção como tive. Foram 180 homens entre a Prefeitura e a minha casa. Não necessitava chamar tanta atenção assim. Depois que saí daquela situação, encarei uma campanha porque tenho a consciência tranquila dos meus atos. Se houveram erros administrativos, vou me defender por isso. Hoje estou feliz comigo mesmo e realizando meus empreendimentos, até para não acontecer qualquer tipo de depressão".

Receio

Reinaldo afirma não temer uma nova prisão. "Não tem motivo para acontecer nada brusco", acredita. "Dentro das minhas argumentações, estou bastante tranquilo quanto às provas apresentadas. Ainda não fui ouvido oficialmente em dois processos. Em outros dois, sim".


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