Indaiatuba

Maio Amarelo visa nova conduta no trânsito

Segurança

As ações de segurança no trânsito estão sendo intensificadas este mês com o movimento Maio Amarelo. Todavia, a conscientização sobre o tema deve ser permanente, enfatiza o diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), José Aurélio Ramalho.

"A segurança no trânsito está nas mãos da sociedade", ressalta. "É fundamental a mudança de comportamento e esse é o mote da campanha de 2018, intitulada 'Nós somos o trânsito'. O tema será usado durante todo ano, inclusive nas campanhas nacionais e na Semana Nacional do Trânsito."

Ramalho acrescenta que as ações do Maio Amarelo têm como objetivo envolver os cidadãos, protagonistas do trânsito. "A proposta é a de fazermos uma reflexão sobre novas formas de encarar a mobilidade", salienta. "Trata-se de um estímulo a todos os condutores, seja de caminhões, ônibus, vans, automóveis, motocicletas ou bicicletas, e também aos pedestres e passageiros, a optarem por um trânsito mais seguro para todos."

"Não é o carro nem a motocicleta, tampouco o celular que matam, e sim os condutores; é o comportamento inseguro das pessoas", alerta Ramalho. "Podemos exigir do poder público pavimentação, instalação de equipamentos, lombadas etc., mas, o trânsito é a única coisa que está nas mãos da sociedade. Para destruirmos a indústria da multa, mesmo que alguém queira implantá-la, basta a gente obedecer às leis de trânsito."

O presidente do ONSV comenta ainda que as orientações, embora pareçam repetitivas, são importantes, porque comportamentos de risco recorrentes, tais como excesso de velocidade e uso do celular ao volante, continuam acontecendo.

"Outra coisa muito comum na cidade é ver mulheres com rasteirinhas andando de motocicleta, e homens com chinelos pilotando moto, o que é extremamente perigoso. Como comparação, basta imaginar seus dedos friccionados em um ralador de queijo a cinco quilômetros por hora; agora, feche os olhos e imagine os pés ralando no asfalto a 50 km/h", compara. "Os mesmos pais que instalam telas de proteção nos apartamentos, são os mesmos que deixam os filhos soltos no banco traseiro do carro. É preciso aplicar o mesmo conceito", conclui.

Respeito

Indaiatuba foi a primeira no Brasil a aderir ao programa de educação de trânsito nas escolas de 1ª a 5ª séries, pelo qual os professores foram treinados em educação no trânsito. "O intuito é baixar para zero os índices de acidentes", complementa Ramalho.

Ele fala que é preciso criar um ambiente tranquilo no trânsito, onde haja respeito entre condutores, pedestres e ciclistas.

A Tribuna fez uma rápida avaliação do comportamento dos ciclistas nas ruas da cidade e verificou que boa parte deles ainda tem postura de risco ao pedalar. Muitos não param no farol vermelho, não respeitam a mão de direção e atravessam cruzamentos preferenciais sem parar. "A maioria não usa capacete ou qualquer outro item de segurança", afirma Vânia Soares. "Eu uso a bicicleta para ir ao trabalho e vejo muita coisa absurda."

Um dos ciclistas, que preferiu não ter seu nome divulgado, foi abordado pela reportagem enquanto atravessava o farol vermelho. Questionado sobre a atitude, ele apenas respondeu que "não precisa obedecer farol" e foi embora. "A questão do ciclista no Brasil é associada ainda ao lazer infantil, ou seja, a bicicleta não é considerada como meio de transporte", prossegue Ramalho.

"O ciclista deve se ver como parte integrante do trânsito urbano, obedecer as regras, a fim de evitar acidentes consigo próprio, inclusive; também é válido que o poder público promova condições aos ciclistas: como estacionamentos, ciclovias e outros, que chamam o cidadão para utilizar este meio de locomoção", complementa. "Nos outros países a bicicleta convive naturalmente com carros e motos, já faz parte da configuração."


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