Indaiatuba

Sindicatos da rede particular de ensino divergem

Em negociações que se estendem desde fevereiro, professores das escolas particulares de ensino básico e superior, representados pela Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo) e pelo Sinprovales (Sindicato dos Professores de Indaiatuba, Salto e Itu), ainda não chegaram a um acordo com o Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo) para a data-base, estipulada em 1º de março. As mobilizações junto aos profissionais de ensino e pais de alunos já acontecem, mas nenhuma foi registrada em Indaiatuba.

"Reivindicamos um aumento salarial de 3%, referente à inflação média de março (2,14%), mais aumento real", afirma Ricardo Paoletti, coordenador de comunicação da Fepesp. "Além disso, pedimos participação nos lucros e resultados equivalente a 18% do salário mensal. Um prêmio pela dedicação e empenho dos professores, já que todas as escolas aumentaram suas mensalidades em valores superiores à inflação".

Os professores pedem também a garantia semestral de salários. "As escolas funcionam por semestre e o professor corre risco de ser demitido no meio do ano. Ele precisa de tranquilidade para poder dar aula", explica Ricardo. A pauta envolve ainda pedidos de férias coletivas de 30 dias corridos e recesso. "O professor nunca tira férias, já que alguns dão aula em mais de uma escola. Queremos um período de repouso garantido", explica o coordenador. "O recesso parece com férias, mas não é. Fora dos períodos da escola, o professor planeja seu ano letivo e faz muito além dos horários de aula. Precisa ter um descanso maior, que costuma ser em janeiro".

Outro pedido é por bolsas de estudos para os filhos dos professores. "Pensamos que esta é uma forma de compensar a dedicação do professor, com o filho na mesma escola em ele leciona. Entendemos que estão recusando isso por uma questão de ganância", aponta Ricardo. Duas reuniões com o Sieeesp já foram realizadas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), ambas sem acordo.

"Professores de Indaiatuba, Salto e Itu, da Educação Básica, após assembleia na última quarta (23), em um primeiro momento, verificando o estado de greve e as paralisações realizadas, resolveram intensificar as manifestações nas três cidades, nas praças públicas e portas de escolas", afirma o presidente da Sinprovales, Gentil Gonçales Filho. "Teremos nova assembleia no dia 29". Outra assembleia está marcada para 6 de junho, envolvendo os professores do ensino superior da rede privada. A categoria conta com 2 mil postos de trabalho na região e cerca de 1.200 professores em atividade.

Em comunicado publicado no site da entidade, Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sieeesp comenta a greve dos professores. "Mesmo com intensa propaganda, nem sempre compromissada com a verdade, além da pretensa paralisação na próxima semana, o sindicato profissional não logrou êxito em paralisar os auxiliares e professores contra a proposta do Sieeesp", aponta. "As adesões foram baixíssimas, podendo-se afirmar que 99% dos professores não atenderam ao apelativo chamado para a greve. Pouquíssimas escolas cancelaram as aulas".

Após fazer duras críticas, destaca que "o Sieeesp mantém o diálogo e a disposição para negociar, enquanto aguarda, com serenidade, o julgamento do dissídio no Tribunal Regional do Trabalho (TRT)" e afirma que "qualquer que seja o resultado do embate jurídico a que fomos levados pela beligerância do sindicato profissional, seguiremos valorizando a atividade docente. Não há educação sem professor. Também não há ensino sem escola. Seguimos unidos".


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