Indaiatuba

Gás de cozinha ainda sofre efeitos da crise

ECONOMIA

O gás de cozinha está com preço mais alto. A constatação é de levantamento do aplicativo Chama, plataforma que conecta revendedores de botijões de gás a clientes. Segundo os dados, o principal motivo foi a crise do desabastecimento, ocasionada pela greve dos caminhoneiros.

O estudo aponta ainda que cerca de 80% dos revendedores deixaram de operar no período de pico da crise do abastecimento e, passada essa fase, a média atual cobrada pelo GLP está girando em torno de R$ 70 - o que representa 8% de aumento frente ao que era repassado ao consumidor no início de maio.

Em Indaiatuba, o custo do botijão chegou a R$ 75 em algumas revendedoras. “Utilizo bastante o gás, porque faço bolos e doces, e da última vez que pedi, paguei mais de R$ 70 – eles cobram para entregar”, comenta Eva Mendes, do Jardim do Sol. “Com esses aumentos fica bem difícil trabalhar, porque a gente não quer aumentar o preço para os fregueses.”

“Nos dias que antecederam o desabastecimento, a maioria dos usuários do aplicativo conseguiu adquirir botijões nas revendedoras que tinham produtos em estoque”, lembra a gerente Andressa Cabral. “Mas o valor médio ultrapassou a marca dos R$ 75, e nos dias que antecederam o desabastecimento, estava em torno de R$ 65; ou seja, foi percebido aumento de 15% no custo do botijão.”

Os valores podem ser diferentes, já que não existe regulação sobre o custo do GLP no Brasil. Em nota, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que não regula os preços, e que estes são liberados por lei desde 2002. Os agentes de mercado (refinarias, distribuidoras e revendedoras) são livres para estabelecerem os preços praticados.

Contudo, a assessoria da ANP destaca que os órgãos de defesa do consumidor (Procon e Ministério Público) podem determinar se, em determinado mercado, está ocorrendo irregularidades, como preços abusivos.

Clandestinos

Com o desabastecimento, a procura por botijões de gás aumentou. Parte disso, segundo especialistas do setor, se deu por conta do pânico causado por um possível risco de prolongamento da greve e falta de produtos. No caso específico do GLP, essa situação favoreceu o comércio ilegal, já que as revendas regulamentadas pela ANP sofreram diretamente os impactos da falta de entregas dos produtos para repasse ao consumidor final. De acordo com limitações de segurança estabelecidas pela ANP, um pequeno comércio botijão de gás não pode ter mais do que 40 unidades de 13 kg em estoque.

“Entidades ligadas ao setor de gás estimam que 38% desse mercado passa pela mão de revendas não regulamentadas, um problema que para além da economia, se reflete em questões de segurança pública, afinal, os riscos levados ao consumidor são muitos - desde a compra de um botijão que não esteja totalmente cheio até uma peça com válvulas fora de validade”, alerta Andressa. "As pessoas que vendem o botijão de gás na rua, muitas vezes em bicicletas e motos, e que não têm CNPJ e cadastro na ANP, são clandestinas. E, por isso, não precisam se preocupar com os critérios exigidos pela agência.”

Andressa observa que, apesar da fiscalização, que envolve visitas em revendas em um canal de denúncias, os preços abaixo do mercado cobrados pelos clandestinos ainda atraem consumidores desavisados. "É um perigo para toda a família, pois no caso de um vazamento basta uma faísca para provocar a explosão", alerta.


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