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Fé e persistência, componentes imprescindíveis

"No início, só participava de reuniões com outras pessoas que tinham o mesmo problema, e ouvia vários relatos sobre remédios e efeitos. Mas, eu não me contentava e tinha na cabeça que iria buscar a cura", enfatiza Dalva.

O tratamento deve ser indicado por um médico, após a confirmação da doença. O remédio, chamado benznidazol, é fornecido pelo Ministério da Saúde, gratuitamente, mediante solicitação, e deve ser utilizado em pessoas que tenham a doença aguda assim que ela for identificada (*).

"Insisti bastante para a médica me encaminhar para a Unicamp. O médico de lá também comentou sobre a pouca possibilidade de sucesso do medicamento, por conta da minha idade - eu tinha 42 anos e a eficácia era para pessoas com menos de 37 anos. Mesmo assim, bati o pé e consegui que ele solicitasse as caixas de benznidazol", acrescenta a manicure.

Ela tomou o medicamento durante dois meses e lembra do sofrimento intenso provocado pelos efeitos colaterais. "Sentia coceira pelo corpo todo; e era como se fosse por dentro, não adiantava coçar. A pele ficou com muitas manchas e ferimentos, e em muitos momentos pensei que fosse morrer. Mas, aguentei firme porque tinha o propósito de me curar. O médico perguntava se estava tudo bem e eu confirmava", revela.

"Quando faltavam 15 dias para acabar a segunda caixa do remédio, tive um inchaço no pescoço e fiquei sem ar. Meu marido ligou para o médico e ele receitou um antialérgico e pediu para eu parar com o medicamento. Eu disse a ele que pararia, mas menti e continuei", emenda Dalva.

Para os portadores da doença crônica a indicação desse medicamento é para pacientes que não apresentam sintomas e com exames sem alterações (forma indeterminada) ou em formas clínicas iniciais, devendo ser avaliados caso a caso (*). "Todos me aconselharam a interromper a medicação. Eles viam meu estado e ficavam preocupados, mas me mantive firme na fé. Eu não me arrependo e faria tudo de novo", garante.

Felicidade

Dalva fala ainda que não conheceu ninguém que tivesse levado o tratamento até o fim. "Teve gente que começou a tomar o remédio e parou. Eu digo que minha fé em Deus me trouxe até aqui - sem Ele não conseguiria nada. Ainda não estou curada, sigo fazendo exames e sendo acompanhada pelos médicos. Mas, para quem quiser tomar o medicamento, aconselho a fazer isso perto de médicos e não sozinha em casa, como eu fiz", indica.

Ela tem dois filhos, de 25 e 26 anos, porém, teve três abortos espontâneos e enfrentou a morte de um filho. Todavia, se considera uma pessoa feliz. "Hoje sou muito grata a Deus por tudo, até mesmo pelos momentos difíceis, quando Ele me deu suporte. O que passou ficou para trás e devemos usar apenas como experiência, conhecimento. Sou muito feliz e tenho muita vontade de viver", conclui Dalva.

(*) Fonte: Ministério da Saúde


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