Indaiatuba

Zooparque tem nascimento inédito de patos-mergulhões

AMBIENTAL

O zooparque Itatiba registrou a primeira reprodução por meio natural de pato-mergulhão sob cuidados humanos no mundo. Quatro filhotes nasceram no dia 8 de julho, de ovos incubados pela primeira vez pelos próprios pais. O pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais raras e ameaçadas do mundo, com menos de 250 indivíduos na natureza. O zooparque Itatiba é a única instituição no mundo que mantém essa espécie sob seus cuidados.

O sucesso reprodutivo foi possível graças aos esforços da Associação Natureza do Futuro, que tem sua sede no zooparque e desenvolve ativamente projetos focados na conservação de espécies ameaçadas da fauna nacional. Seu objetivo principal é a conservação do pato-mergulhão, sendo este um dos mais importantes projetos de conservação de espécies ameaçadas do país.

A amostragem definida para o início da reprodução foi de cinco casais formados. Após esses pareamentos, ocorreram as primeiras posturas e os primeiros nascimentos de pato-mergulhão em um ambiente sob cuidados humanos, em 2017. Atualmente, o zooparque possui 21 patos-mergulhões adultos.

Até então, todos os indivíduos nascidos no zoo foram criados de maneira artificial, utilizando-se da infraestrutura de maternidade existente na instituição. Os ovos foram incubados artificialmente e os filhotes, criados manualmente. Neste ano, três casais fizeram a postura de ovos no zoo e, diferentemente do ano anterior, o processo de incubação ficou totalmente a cargo dos pais. Esta é a primeira vez que os casais foram responsáveis por todo o processo de reprodução.

O sucesso reprodutivo do pato-mergulhão no zooparque demostra a importância da reprodução de espécies ameaçadas sob cuidados humanos. O foco principal é o aumento da população dessa ave, possibilitando, futuramente, a reintrodução das gerações nascidas no zoo em seu habitat natural.

Para Alexandre Resende, veterinário do zoo, o nascimento desses filhotes junto à mãe é um indicativo de que, embora criados sob cuidados humanos, eles podem sobreviver em seu habitat natural. “Como foram criados longe dos pais naturais, tínhamos a dúvida de que seriam bons pais, já que estes não estavam por perto para ensiná-los. Foi provado agora que não teremos problema quanto a isso”, justificou.

PAN

O projeto do pato-mergulhão teve seu início em 2006, por inciativa do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Mas somente em 2012, com a criação do Instituto Chico Mendes (ICMBio), o projeto começou a ganhar forma e, assim, após uma reestruturação de seus objetivos e ações, foi criado o Plano Nacional de Conservação (PAN) do pato-mergulhão.

No zooparque, os patos-mergulhões são mantidos em recintos fechados à visitação, e são monitorados por câmeras 24 horas por dia. A alimentação é balanceada com ração e alevinos de lambaris vivos colocados nas lagoas para estimular o comportamento natural da espécie. Os visitantes podem vê-los através de um centro audiovisual instalado na maternidade.

"Um projeto dessa relevância mostra como os zoológicos são importantes na conservação da fauna brasileira. Através da reprodução dessas espécies ameaçadas é possível ter um aumento em sua população e, futuramente, com parcerias, possibilitar a reintrodução dessas gerações nascidas sob cuidados humanos”, comentou Robert Kooij, diretor do zooparque.

O pato-mergulhão é uma das aves aquáticas mais ameaças do mundo, considerada criticamente em perigo de extinção em nível global segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Segundo a entidade, existem menos de 250 aves em vida livre e esse número está diminuindo. A espécie só é encontrada nas regiões da Serra da Canastra (MG), Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO).


Fonte:


Notícias relevantes: