Indaiatuba

Cultivo de uva pode ter economia de R$ 9,5 mi

Agricultores do Circuito das Frutas paulista podem economizar pelo menos R$ 12 mil por hectare em fertilizantes, a cada ano, adotando recomendações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para a região. Considerando apenas a área cultivada com uva, a economia em Indaiatuba pode ultrapassar R$ 9,5 milhões. A cidade sediou no sábado (25) um dia de campo sobre uso racional de insumos. Os fruticultores tiveram palestras com os pesquisadores da empresa de pesquisa e viram como as técnicas vêm sendo aplicadas, na prática, há um ano, no Sítio Lageado (Videiras).

As recomendações são resultado de um projeto com geotecnologias em andamento há três anos com objetivo de aumentar a competitividade da fruticultura nos municípios que integram o circuito: além de Indaiatuba, Atibaia, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo. Análises de solo associadas à geoestatística apontaram que os produtores têm utilizado mais fertilizantes do que o necessário. "Isso aumenta o custo de produção, um dos fatores que tem levado agricultores a deixar a fruticultura", avalia o pesquisador da Embrapa Territorial Ivan Alvarez, líder do projeto.

Em 1994, o circuito era responsável por 43% da produção nacional de frutas; em 2016, não chegava a 20%. A área de colheita em pomares vem caindo ano após ano, pressionada por fatores como elevado e produção e da terra, a expansão urbana e a fuga de mão de obra do campo. "Para permanecer, a fruticultura precisa ser lucrativa", alerta Alvarez.

Alternativas

No dia de campo, pesquisadores da Embrapa Territorial apresentaram a situação de fertilidade dos solos encontrada nos pomares da região. As análises apontam o uso de fertilizantes além do necessário. Os engenheiros agrônomos calcularam com os produtores quanto economizariam reduzindo a aplicação de produtos químicos. Também mostraram alternativas para adubação que podem ser preparadas na propriedade.O pesquisador Ivan Alvarez contou como a queda na área de fruticultura na região motivou a criação do projeto "Geotecnologias para incrementar a competitividade e sustentabilidade da Agricultura Familiar no Circuito das Frutas do Estado de São Paulo", em execução há três anos. Entre os fatores que têm levado fruticultores a deixar a atividade, Alvarez aponta a especulação imobiliária, a fuga de mão de obra do campo, o desinteresse dos jovens pela agricultura e o elevado custo de produção.

A economia de recursos com um manejo diferente na fertilização da cultura foi uma das respostas apontados pelo dia de campo. A pesquisadora Célia Regina Grego, da Embrapa Informática Agropecuária, mostrou em mapas os resultados da avaliação dos solos em propriedades de cada um dos dez municípios do Circuito da Frutas.

As imagens revelam grandes diferenças de disponibilidade de nutrientes entre áreas do mesmo sítio e indicam desperdício de recursos se a fertilização for feita de maneira uniforme.

"Com a geoestatística, a gente observa que a coisas não são uniformes como se pensa", explica a pesquisadora Teresinha Albuquerque, da Embrapa Roraima, que colaborou nas recomendações de fertilização. Ela chamou a atenção dos participantes para o excesso de alguns elementos no solo e as combinações de produtos que impedem a absorção de nutrientes pelas plantas. Falou ainda sobre a necessidade de manter microrganismos no solo que favoreçam a disponibilidade de compostos favoráveis ao desenvolvimento das plantações. "A qualidade da fruta que vamos colher está relacionada a tudo o que fizemos", lembrou.


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