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SP: condição dos negros no mercado de trabalho piora na pandemia

Agência Brasília
carteira de trabalho
Crédito: Agência Brasília

A população negra da região metropolitana de São Paulo foi fortemente impactada no mercado de trabalho durante a pandemia do novo coronavírus. Isso é o que mostrou um estudo divulgado hoje (29) pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade).

A pesquisa Trajetórias Ocupacionais mostrou que a pandemia fez com que as desigualdades estruturais se acentuassem em um curto período, sendo mais desfavorável para o negro. Nesse período, foi ele quem mais sofreu com o desemprego, o trabalho informal e a menor renda.

No primeiro ano da pandemia, os negros foram fortemente afetados pela crise, com maior dependência de mecanismos de transferência de renda, maior desalento e menor isolamento social devido à necessidade de trabalho presencial.

O estudo demonstrou que apenas 17% dos negros ocupados em 2020 passaram para o regime de trabalho remoto, o que representou metade da parcela de não negros (34%). Essa menor possibilidade de manter o isolamento por meio do trabalho remoto se deve ao fato de, entre os negros, ser maior a parcela em ocupações não protegidas e em atividades consideradas essenciais durante a pandemia.

Entre os mecanismos de proteção à renda do trabalho, o maior diferencial observado foi no recebimento do auxílio emergencial. Entre os negros, 33% receberam o auxílio, percentual superior ao de não negros (27%).

Segundo o estudo, a cada 100 negros que estavam ocupados em 2019, 24 ficaram sem trabalho no ano passado. Metade desses foi para o desemprego e, a outra metade, para a inatividade (o que significa que não está trabalhando e nem procurando emprego). Entre os não negros, a mesma porcentagem (24%) ficou sem trabalho em 2020, mas a proporção de inativos foi maior: 15%. Mas os motivos dos inativos negros para não procurarem trabalho se distinguem aos dos não negros pela maior relevância da dificuldade em conseguir trabalho (28%) e a problemas de saúde (18%). Entre os não negros, esses números foram de 18% e 12%, respectivamente.


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