Saúde

Perda de audição pode começar na juventude, dizem especialistas

Tomaz Silva/Agência Brasil
Rio de Janeiro - Estudantes chegam ao Colégio Santo Inácio, em Botafogo, zona sul da capital fluminense, para o segundo dia de provas do Enem 2016. (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A perda de audição está começando cada vez mais cedo. É o que advertem especialistas neste sábado (24), quando se comemora o Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído. Para muitos médicos, o ruído em excesso pode ser a causa de problemas auditivos entre os jovens.

“É um problema sério. Já se constata que a perda auditiva está começando a surgir cada vez mais cedo entre moradores de grandes cidades. E o barulho intenso e prolongado pode causar danos cada vez maiores à audição, ao longo da vida", explica a fonoaudióloga Marcella Vidal, gerente de Audiologia Corporativa na Telex Soluções Auditivas.

De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnica, o ruído em áreas residenciais não deve ultrapassar o limite de 55 decibéis durante o dia, das 7h às 20h; e 50 decibéis no período noturno, das 20h às 7h da manhã. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que são nocivos os ruídos constantes acima de 55 decibéis.

Para Marcella, a poluição sonora infelizmente ainda não é percebida como um mal à saúde. “O ruído é um poluente invisível que, contínua e lentamente, agride as pessoas", observou. Ela acredita que a geração atual, cada vez mais conectada à tecnologia, “que não larga os smartphones e videogames, dependerá mais de aparelhos auditivos no futuro”.

Mudança de hábitos

Paulo Lazarini, que é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Otologia e professor titular do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo, disse à Agência Brasil que esse é um processo que vem acontecendo com a mudança dos hábitos da população, em que há exposição a ruídos ambientais em situações de trabalho, nas ruas das cidades, e também no ambiente domiciliar individualmente, com uso de fones de ouvido, principalmente entre os mais jovens.

“A população hoje está muito exposta a ruídos, tanto no trabalho, nas cidades principalmente, e também com os hábitos que estão sendo adotados pela população nos dias de hoje”, comentou Lazarini. Ele conta que muitos jovens usam celulares para ouvir músicas com o som alto, e essa exposição a ruídos pode fazer com que, no médio e longo prazos, o indivíduo tenha perda auditiva.

O professor lembra que a expectativa de vida vem aumentando e que se a pessoa não souber proteger o seu ouvido desde jovem, ela vai chegar mais facilmente à idade adulta com perda de audição. Ele explica que a exposição a ruídos vai, pouco a pouco, deteriorando as células que estão na parte mais interna do ouvido, chamada cóclea.

“Elas vão deixando de funcionar gradativamente e isso, com o passar dos anos, leva a uma perda auditiva. É um processo lento que vai acontecendo. Só que, à medida em que essa pessoa está mais exposta [a ruídos], ela vai perdendo esses sensores que estão na posição mais interna do ouvido e, com isso, as chances de ter perda auditiva e ter dificuldades e problemas é muito maior”.

Ele também chama a atenção para outros fatores, além do ruído e som alto, que podem piorar a qualidade de vida do indivíduo. Um deles é o zumbido, ou percepção sonora contínua, que pode provocar inclusive transtornos emocionais na pessoa.

“O ruído e o som alto podem ainda aumentar a frequência cardíaca e causar outros transtornos por essa exposição. O ruído tem influência sobre o ouvido, mas também sobre todo o sistema nervoso e cardíaco. Isso acaba trazendo prejuízos à qualidade de vida das pessoas que ficam expostas no seu dia a dia”.


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